Resenha Uma Jovem Tão Bela Como Eu

Uma jovem tão bela como eu
Por Jussara Maria Horta e Pâmela Maria de Andrade

Com lançamento no ano de 1972 e, duração de 1h e 40min, o filme tem como diretor o cineasta francês Francois Truffaut (1932/1984), um dos fundadores do  movimento cinematográfico conhecido como Nouvelle Vague – considerado um movimento artístico do cinema francês que se insere nas movimentações contestatórias próprias dos anos sessenta, este é caracterizado como um dos maiores ícones da história do cinema do século XX. 

O filme conta com os atores Bernadette Lafont, Charles Denner e André Dussollier, este representa uma comédia dramática e policial (gênero) de nacionalidade francesa. O cineasta François Truffauta era conhecido como um grande admirador da alma feminina e, amava sobretudo as mulheres fatais (femmes fatales), que estavam presentes em muitos de seus filmes. As mulheres nem sempre eram puramente expectaodas de suas histórias, mas sobretudo, as personagens prinicpais. 

O fime Uma Jovem Tão Bela Como Eu, conta a história de um jovem sociólogo elaborando uma tese sobre mulheres criminosas. É na prisão que este conhece a inescropulosa Camille Bliss (atriz – Bernadette Lafont), culpada de acabar com a vida de seu marido (ator Philippe Léotard – o marido traído) e de seu amante ( ator Charles Denner – no papel do amante ingênuo). Neste filme, Camille Bliss é uma mulher com um grandioso desejo de ascender socialmente e obter fama, que não medirá esforços para alcançar o que almeja: ser uma cantora, embora, ao longo do filme pode-se perceber que esta é a mais desafinada das criaturas. Sendo indiscutivelmente linda e sedutora, aproveita-se de seus atributos e da tolice de alguns homens que encontra em seu caminho para conseguir realizar seu sonho. Ela representa, antes de qualquer coisa, um otimismo por natureza.

É de uma maneira singular, como no filme Jule e Jim, que o cineasta Frnaçois Truffaut retorna a criar uma personagem feminina que inevitavelmente exrece uma excepcional força de atração sobre os homens. É por meio da interpretação da atriz Bernadette Lafonte, que pode-se contatar na tela do cinema sua sensualidade natural e envolvente, destacando-se sobremaneira no conjunto da obra cinematográfica. Pode-se destacar, que a personagem de Camille é ao mesmo tempo apaixonante e irritante, hiperativa e atrapalhada, a atriz Bernadette Lafonte (Camille), teve uma destaque importante e filmado indiscutivelmente no ritmo da protagonista.

Resenha A Noite Americana

A Noite Americana
Por Luciana Azevedo Rodrigues

Esse filme é um clássico do cinema mundial, dirigido por François Truffaut, com duração de 115 minutos. De origem francesa e lançado em 24 de Maio de 1973.

A história contada não é algo comum de se ver no cinema. O filme mostra como se cria um filme, como se fosse um filme dentro de outro filme. O filme gravado dentro de “A noite Americana” chama-se “A chegada de Pamela”. Este conta a história de uma jovem inglesa (Pamela) que é casada com Alphonse. E quando Alphonse vai até a casa de seus pais para apresenta-los à Pamela, ela acaba se apaixonando por Alexandre (pai de Alphonse) e ele por ela, e depois eles decidem fugir para Paris e acabam tendo um final trágico.

Mas a ideia central não é a história do filme “A chegada de Pamela”, mas sim de como ele foi criado. As cenas dos bastidores, de tudo que ocorre durante as filmagens é o contexto principal. E também a história dos atores no filme, como de Alphonse que tem uma mente um pouco infantilizada, tem um caso com Liliane (integrante da equipe de filmagem), mas que acaba sem ela no final. Severine, que interpreta a mãe de Alphonse, tem problemas com álcool e emocionais que acabam prejudicando sua atuação. Alexandre, que está quase sempre no aeroporto por seu companheiro, acaba tendo um fim trágico nos dois finais. Ferrand, o diretor, este interpreta algo parecido com sua própria vida real, ele é o principal, que organiza e dirige toda realização do filme. E Julie, interpreta Pamela, esta que sofrera alguns ataques de pânico, casou-se com seu médico Dr. Nelson, e conseguiu filmar o filme sem acontecer algum problema.

Uma parte que nos chama atenção é o fato do próprio Truffaut fazer parte do filme, com o papel do diretor do filme de “Pamela”. Ficou bastante interessante porque ele tem seu próprio estilo de dirigir e um ator não teria capacidade de atuar com as características que Truffaut teria em uma direção habitual. Única diferença entra os dois diretores (Ferrand e Truffaut) é um aparelho de surdez que Ferrand usou nas gravações.

A quantidade de referências que aparecem também é algo que nos chama atenção. A principal é uma homenagem que Truffaut faz aos diretores que marcaram sua vida. Como personagem Ferrand ele joga sobre a mesa livros e alguns nomes ficam nítidos, como: Buñuel, Carl Theodor Dreyer’s, Lubitsch, Ingmar Bergman, Jean-Luc Godard, Hitchcock, Rossellini, Howard Hawks e Bresson.

Em alguns momentos não se identifica, em primeira vista, de qual filme é a cena mostrada. E logo após aparece as câmeras que estavam gravando aquela determinada cena. Isso nos força pensar em uma comparação da cena gravada normalmente e dela de como foi gravada, com todo equipamento técnico e toda equipe de filmagem por trás. As cenas são muito bem planejadas, a posição das câmeras captando todo set de gravação nos da uma boa visualização de como seria os bastidores de todos os filmes já gravados até hoje.

Truffaut quis mostrar tudo que a equipe passa por trás das câmeras, como: vários imprevistos que acontecem antes das filmagens de cada cena. Alguns problemas dos atores de não querem gravar determinada cena. E até mesmo soluções improvisadas de ultima hora. E também mostra que, apesar dos problemas e confusões, no final há uma grande satisfação da equipe pelo trabalho realizado, mostra uma paixão que eles tiveram em trabalhar na filmagem.


Resenha A História de Adèle H.

A História de Adèle H.
Por Vanderlei Barbosa,  Ricardo Silveira de Moura
Paula Souza Alves dos Santos e Ariane Paiva Silveira

Essa obra teve seu lançamento dia Oito de Outubro de Mil Novecentos e setenta e cinco.

François Truffaut teve muitas paixões. O cinema certamente foi a maior delas, desde o inicio da sua carreira, como crítico de cinema, até o momento em que decidiu se dedicar por inteiro não somente a teoria, mas também a prática do fazer cinematográfico. O interesse especial que talvez não tenha ficado evidente era a admiração por mulheres fortes e obstinadas. E, destas poucas puderam se comparar à Adèle H., que escondia o sobrenome famoso (filha do escritor mais famoso, Vitor Hugo), que largou família, amigos, orgulho pessoal, para ir atrás de um amor impossível, de um homem que não mais a queria, um dos seus trabalhos mais singulares.

Quando conhecemos Adèle ela esta desembarcando na América, após longa viagem de navio. Sem ter para onde ir e com o dinheiro contado, pede para o motorista que a leve até uma pousada de família, simpática e não muito cara. Aos poucos seus planos vão sendo revelados: está atrás do Oficial Albert Pinson, enviado há pouco tempo pelo exército Francês, para prestar serviço no novo posto. Mas quem imagina que ele esta ansioso esperando ela, esta muito enganada. Albert recebe a noticia da presença da presença de Adèle na vila, e ao procurá-la dias depois, tem apenas um objetivo: reafirmar sua total falta de interesse nela. O que uma vez houve entre os dois já acabou, e do que houve ele prefere nem guardar lembranças, mas quem diz que a Adèle entende o recado? Visivelmente desequilibrada, prefere seguir agindo como se ignorasse os fatos óbvios que se desenrolam em sua frente, acreditando mais no que se passava em sua mente, do que no concreto. E a partir de então passa a mentir: para a família, para os hospedeiros, para o livreiro, o rapaz do correio, mas principalmente para si mesma.

A presença de Truffaut é discreta, mesmo uma rápida participação como ator, como um dos militares. Se pouco vê sinas do seu cinema de costumes mais íntimos e pessoais, o identificamos nos detalhes, no estudo de personagem que desenvolve a partir das ações e reações de sua protagonista: Adèle cria e recria a cada instante um novo mundo, e qualquer sinal de mudança logo é esclarecido como um mergulho ainda mais profundo na loucura que vai desenvolvendo. A paixão, não é arrebatada, nem libertadora. Ela consome, destrói e perverte, arrasando quem ela deveria se nutrir até o ultimo suspiro. E, No final, o que sobra é somente o preto das roupas, pois os sentimentos já se foi há um bom tempo.
       
Para conseguir o amor de Albert, Adèle humilha-se, espiona, arranja mulheres para o amante e chega a simular uma gravidez diante do futuro sogro do tenente. Sem dinheiro e sem Albert, sua sanidade começa a deteriora-s rapidamente, e ela abandona a pensão por um albergue de indigentes.
       
Essa obra termina numa nota de ironia trágica, mostrando que mesmo após as mais turbulentas tempestades a ainda ira a paz ainda ira surgir, mesmo que nunca na forma esperada. Não se trata de uma longa e fácil filme de ser assistido e muito menos algo apaixonante, mas ainda assim possui qualidades suficientes para justificar a assinatura deste, que é um dos maiores realizadores do cinema Francês.



Resenha O Homem Que Amava As Mulheres

O homem que amava as mulheres
Por Dalva de Souza Lobo,
Paula Souza Alves dos Santos e
Ricardo Silveira de Moura
Título original:L’HommeQuiAimaitLesFemmes.
Ano de lançamento: 1977.
Direção: François Truffaut.
Produção:Marcel Berbert e François Truffaut.
Roteiro:François Truffaut, Suzanne Schiffamn, Michel Fermaud.
Duração: 120 minutos.
Elenco: Charles Denner, Brigitte Fossey, NathalieBaye, Sabine Glaser, ValérieBonnier, Jean Dasté, leslieCaron, GenevièveFontanel, Nelly Borgeaud e Henri Agel. 

 “O homem que amava as mulheres” pode ser considerado um poema em homenagem a todas as mulheres, de diferentes belezas e singularidades. Bertrand Marone, protagonista da história, trata cada uma de forma cordial e endeusada, as admirando dos pés a cabeça, principalmente as pernas, parte do corpo que Bertrand, assim como Truffaut, adorava.

 A obra começa com um mar de mulheres de preto caminhando em direção ao cemitério, todas de saia rumo a um túmulo. Com uma narração em off, passa a ser subentendidoquem poderia estar naquele túmulo e que este estaria relacionado com todas aquelas mulheres. De início já nos causa estranheza como aquele personagem morto poderia estar relacionado àquelas mulheres. Seria um garanhão?

 Com um corte de imagem passa a ser mostrado a vida de Bertrand onde começa a ser contado a história por trás das tantas mulheres que apareceram em seu enterro, no natal de 1976 em Montpellier, França.

Bertrand estava em uma lavanderia quando viu um par de pernas passando pela janela, foi quando saiu atrás da moça mas só conseguiu anotar o número da placa do carro. Depois disso, Bertrand foi capaz até de bater o próprio carro numa pilastra fingindo ter batido para conseguir o telefone e endereço da mulher misteriosa dona do par de pernas. A seguradora não disponibilizou a ele o contato da moça, mas uma funcionária deu a ele discretamente. Seguindo o endereço, descobriu que aquele automóvel era alugado e quem usara naquele dia foi uma prima da locadora do automóvel, a qual estava indo para Montreal, o que o fez desistir da moça.

François Truffaut, o amante de pernas, retrata através do seu protagonista esta sua admiração por elas. O filme é recheado de cenas com pernas femininas feitas por NéstorAlmendros.A maior infelicidade de Bertrand era ver mulheres de calça com a sua beleza escondida.

Sempre às 7 horas da manhã, Bertrand era acordado por um serviço telefônico da época que servia como um despertador, onde havia uma mesma moça, carinhosamente apelidada de Aurora, que o acordava sempre. Bertrand interessado nesta voz misteriosa, sempre a chamava pra sair, mas Aurora sempre recusara, até que um dia ela aceitou, mas de última hora desmarcou, tornando assim um mistério maior ainda.

De tantas mulheres que marcaram a vida de Bertrand, ele resolve escrever um livro, contando seus romances para perpetuarem na eternidade e o fazendo assim, reviver suas histórias continuamente.

E durante o tempo que ele escreve o livro vêm as lembranças da sua mãe. Ele conta como ela andava rápido, igual às prostitutas, que andava nua pela casa como se não percebesse sua presença. Toda esta falta de amor em família é refletida em sua vida, o tornando quase semelhante à mãe, como a coleção de fotos que os dois guardam para si. Todas as cenas de lembrança da sua infância são retratadas em cores preto e branco, diferente das outras cenas que são sempre muito coloridas, para retratar a tristeza que Bertrand sentia. 

Um outro relacionamento de Bertrand é com Delphine, com quem teve uma relação de amor e ódio, tornando uma das relações mais complicadas. Delphine acabara de sair da prisão quando foi atrás de Bertrand em seu apartamento onde ele estava com Bernadette, uma empregada da seguradora. Como Delphine era uma mulher muito ciumenta, era de esperar uma confusão, mas surpreendentemente Delphine acabou aceitando a situação e tiveram uma relação a três.

Com o livro sendo escrito, Bertrand pagou uma datilógrafa para datilografar sua obra para posteriormente mandar para as editoras. No meio deste processo, Madame Duteil, a datilógrafa recusou continuar a trabalho, pois não se sentia bem lendo aquelas histórias que a ofendiam. Sendo assim, o próprio Bertrand teve de continuar datilografando seu livro e mandar para as editoras.

Quando ele termina seu livro e leva às editoras, o interesse por ele é pequeno por contar a história de um homem que se relaciona com várias mulheres, seria algo ofensivo para as famílias tracionais da época. Mas GenevièveBigey, que trabalha em uma das editoras, é a única que percebe a poesia por trás da obra de Bertrand e o defende na empresa. Ela se interessa bastante pela obra por mostrar a beleza do amor que ele sentia por cada uma.

Geneviève conhece então o criador da obra e acabam se relacionando, sendo ela a única conhecedora de toda vida de Bertrand, ou seja, é a voz feminina que narra o filme.

Bertrand morreu fazendo o que mais gostava, admirando um belo par de pernas. Estava caminhando quando viu do outro lado da calçada uma moça desfilando com as suas pernas a mostra. Foi na tentativa de segui-la para admirar seus passos que Bertrand foi atropelado. Gravemente ferido e já no hospital, ele ainda assim não quietou. Deitado na cama viu a enfermeira de saia e foise levantar caindo e desconectando o sangue que estava tomando pela veia e chega ao óbito.

Bertrand dizia que se relacionava com várias mulheres, pois não encontrara aquela que o completasse totalmente, então, procurava em cada uma sua parte que o preenchesse. Ele não ficava com suas mulheres apenas por ficar, ele se envolvia com cada uma delas e as valorizava, fazendo com que se sentissem bem e especiais naquele momento que estavam juntos.

Enfim, Bertrand não era apenas um conquistador, mas um homem que amava as mulheres no seu jeito de ser e em suas belezas peculiares, nos diferentes sentidos.

Resenha O Quarto Verde

O Quarto Verde – François Truffaut
Por Carlos Betlinski, Elisangela Brum Xavier,
Julia de Jesus Souza Resende e Larissa Brunelli da Silva

Esse filme, conta a história de Jullien Davenne e sua “obsessão” pelos mortos, o filme começa trazendo cenas da primeira guerra mundial, tendo imagens sobrepostas do rosto do personagem principal, Davenne. A trama se passa 10 anos após o fim da guerra, e logo em seguida, o filme se segue com a morte de Genevieve Mazet esposa de Gerard Mazet. No funeral Davenne faz um discurso à seu amigo dizendo o quanto os mortos estão vivos dentro de nós.

Jullien é um homem viúvo que nunca superou a morte de sua esposa e acreditava que os mortos não deveriam ser esquecidos, para isso ele constrói um altar para sua esposa, o denominado quarto verde, onde ele guarda pertences da mulher e até mesmo a leva presentes.

Davenne mora com sua governanta e Georges, um menino surdo que vive sob sua proteção, ele trabalha em um jornal e o tempo todo no filme fica evidenciado essa obsessão pela morte, seja em casa, ou seja no trabalho. Sua relação com Georges é um tanto quanto estranha, o filme não deixa claro quem era o garoto, sem explicar por qual razão ele mora sob os cuidados de Davenne, no entanto nos trás um fato curioso, pois com o menino Davenne ele demonstra um pouco mais de afeto, o que nos remete ao fato do menino expressar justamente o que é Jullien, essa incapacidade de se expressar.

Em casa ele guarda várias imagens de mortos durante a guerra, no trabalho, fica evidenciado no fato de Jullien trabalhar como obituário e recusar todas as propostas de ir trabalhar num jornal melhor. Quando seu chefe lhe pergunta o motivo pelo qual ele insiste em trabalhar em um jornal cujos assinantes ou já morrerem ou são velhos, ele diz que é exatamente esse o motivo, ele está lá por eles, pelos mortos.

É numa de suas buscas a presentes para sua falecida esposa que Jullien encontra Cecília Mandel, uma bela jovem que trabalha como assistente de leiloeiro. Essa é outra ligação do filme com a morte, pois Cecília, assim como Jullien, apresenta um amor aos mortos, no entanto diferente dele porque ela acredita que é possível amar e respeitar os mortos sem deixar de viver.

Os dois começam a conviver e até mesmo é possível notar que ela desenvolve um amor por ele, no entanto Davenne se recusa a se abrir para novas paixões. Um exemplo disso é a cena em que seu amigo Mazet lhe procura para apresentar-lhe sua nova esposa, Jullien fica inconformado e acha um absurdo o amigo ter se envolvido com outra mulher depois que ficou viúvo, ele chega a comparar o novo casamento de Mazet com uma “troca de empregada”.

Um dia durante uma forte tempestade que ventava muito, as velas do memorial para sua esposa caem e acabam colocando fogo no quarto, destruindo-o. Davenne em uma de suas idas ao cemitério encontra uma capela abandonada e acaba por convencer o padre a deixá-lo reformar e fazer dela um santuário. Nesse santuário Jullien coloca fotos e uma vela para cada pessoa que de alguma forma teve passagem por sua vida, desde sua esposa até um inimigo guerrilheiro. Jullien Davenne convence Cecília a ser guardiã junto dele do memorial que ele construiu para ‘seus mortos’, e propõe a ela que quando ele morrer será função dela acender sua vela.

O relacionamento um tanto quanto estranho dos dois se dissolve quando ele descobre que Cecília teve um caso com Massigny, um velho amigo com quem teve desentendimentos no passado e por quem demonstra guardar um profundo rancor e decepção, é notável durante a passagem do filme que esse amigo foi uma das pessoas que o fizera perder a completa esperança nos vivos, no entanto não fica claro o motivo.

A trama se encerra com Cecília acendendo a vela por Julien após sua morte dentro do memorial por ele construído. Quando descobre que o único morto que Cecília gostaria de exaltar era Massigny, Davenne se isola no antigo quarto verde, sem comer, assim ele enfraquece e adoce. Ao receber uma carta de Mandel dizendo que o ama, Jullien sai à procura dela; ao encontrá-la no memorial, já fragilizado, Davenne completamente enlouquecido diz que falta uma vela acesa, no caso a sua e morre.

Truffaut traz com essa obra questões de difícil assimilação e até mesmo dificilmente digeríveis. Esse foi considerado pela crítica um dos piores filmes de sua carreira, com o menor público de bilheteria, no entanto a obra nos traz uma reflexão sobre a finitude da vida, reflexão essa que não fazemos diariamente.

François Truffaut deixa um pouco de lado nesse filme sua relação de exaltação da mulher, para dar espaço à morbidez, no entanto não deixa de fora o amor, a possessão pelo outro, o que é visto na possessão de Davenne pela mulher falecida, traz também sua paixão pela escrita, no próprio Jullien que é escritor de um jornal.


Esse filme, além da originalidade, mostra a grande força de um amor verdadeiro e que a vida preciosa de pessoas que foram tão especiais em sua existência não pode terminar simplesmente de forma tão banal.

Resenha A Mulher Do Lado

A mulher do lado
Por Lívia Rosa

A mulher do lado, de 1981 é o penúltimo filme de François Truffaut.
Roteiro de François Truffaut, Suzanne Schiffman e Jean Aurel. Os dois personagens principais são criação de Truffaut. (http://50anosdefilmes.com.br/2011/a-mulher-do-lado-la-femme-d%E2%80%99a-cote/)
O filme começa com uma mulher, Odile Jouve, falando sobre a história de Bernard e Mathilde, como uma prefácio e um epílogo. Essa mulher conhece os dois, acompanhou os acontecimentos e está introduzindo a história aos telespectadores.  Ao longo do filme o espectador descobrirá que Odile Jouve também teve sua história trágica de vida, por um amor marcado pela tragédia.
O filme mostra duas casas, que são separadas por uma rua. Em uma delas mora Bernard (Gérar Depardieu) e Arlette (Michele Baumgartner) e o filho Thomas. A outra casa ainda estava para alugar. Um novo vizinho chega e Bernard se apresenta. Philippe o novo vizinho precisa fazer uma ligação, e Bernard o leva para sua casa para usar o telefone.
Passada uma semana, a mudança de Philippe chega e Bernard e sua esposa vão até a casa dos novos vizinhos. A mulher de Philippe aparece para as apresentações. Mathilde estava no andar de cima, a câmera a filma chegando e vemos em seu olhar marcante que aí vem tragédia.
Nos primeiros minutos da trama Mathilde liga para a casa de Bernard. E assim se inicia uma história de amor, que seria marcada por episódios de tragédia. Um amor que não poderia terminar em coisa boa. É um filme que um ar misterioso, que vai aos poucos revelando as histórias dos personagens. Mathilde e Bernard foram amantes no passado, e ao se reencontrarem não resistem aos sentimentos e vivem um amor as escondidas.



Resenha Jules e Jim: Uma mulher para dois

Jules e Jim: Uma mulher para dois
Por Lívia Rosa
Filme lançado em 1962, dirigido e adaptado por François Truffaut a partir do romance de Henri-Pierre Roché. Conta a história de dois amigos, Jules e Jim, que se apaixonam pela mesma mulher, filme que conquistou o público dos anos 60 e até hoje atrai muita gente.
Jules e Jim vivem em Paris, marcados por encontros amorosos passageiros, que não duram muito tempo. Recebem um convite para irem a uma exposição particular de um amigo de Jules, se deparam com o sorriso tranquilo de uma estátua. Eles ficam maravilhados com o sorriso daquela estátua e vão até o museu, admiram-na por uma hora  e dali saem com a ideia de que, se um dia encontrassem um sorriso como o daquela estátua, eles o seguiriam.
Eles conhecem então, Catherine (Jeanne Moreau), ou como diz Jules em uma cena do filme “força da natureza”, que desperta um sentimento que não abala a amizade entre os dois. Jules, que tinha dificuldades em manter relações mais duradouras, namora com Catherine em Paris, sempre acompanhados de Jim. Então, começa uma história de amizade e amor, em que Jules e Jim, se aproximam e conhecem a cada dia mais Catherine. Com a Primeira Guerra Mundial, os dois amigos vão para lados opostos e não tem contato por muito tempo.
Finda a Guerra, Jules e Jim voltam a se comunicar normalmente por cartas. Jules e Catherine agora moram próximo ao Reno, tem uma filha; porém, eles já não mantinham o mesmo relacionamento antes vivido.
Jules e Jim então, conversam por cartas. Jules convida Jim para sua casa. Jim, então, lhes faz uma visita, as conversas com Jules lhe mostra que há algo de diferente, e Jules então confessa que o relacionamento já não é como antigamente e que prefere ver Catherine com outro a perdê-la. Nesse momento, começa um relacionamento requintado entre os três, com a estética de um relacionamento que envolve o amor, a amizade e as relações humanas.
Truffaut utiliza-se de diálogos adaptados, conferindo assim a naturalidade necessária ao filme, mas a narração em off,  acelerada no começo do filme, ajuda a manter o caráter da narrativa escrita, respeitando assim, a obra de Henri-Pierre Roché. A trama então, promete o cenário de uma história de amor e amizade, entre uma mulher e dois homens, mas não se prendendo a aspectos da moralidade. A obra, leva à reflexão sobre os momentos intimamente ligados às relações amorosas e afetivas do ser humano, sem se prender a qualquer tipo de moralismo ou associação, do relacionamento entre o trio de protagonistas do filme, como uma aberração na sociedade.
A trama é narrada de maneira isenta de pré-conceitos, evidenciando assim, a intensidade do amor ou amizade entre os três personagens.





Resenha Amor aos 20 anos

AMOR AOS 20 ANOS - ANTOINE E COLETTE

Gênero: Romance
Ano: 1962
Sinopse
Este filme é constituído por cinco episódios (curta-metragem) sobre o amor, sendo cada um dirigido por um jovem diretor de diferentes lugares do mundo: Andrzej Wajda (Polônia), François Truffaut (França), Marcel Ophüls (Alemanha), Renzo Rossellini  (Itália), Shintarô Ishihara (Japão).

A proposta era mostrar o primeiro amor e todos os seus impasses, prazeres, conquistas e decepções entre jovens em diferentes cidades. Os episódios mostram como eles descobrem a paixão, como lidam com a recusa, com a dor e como superam essas situações. Os anseios dessa fase da vida são retratados de modo simples e romântico, mostrando também os aprendizados que essa fase pode proporcionar: persistência, paciência, renúncia e outros.

Entre um curta e outro:
è Aparece o nome do diretor e da cidade retratada
è Vários casais e diversas pessoas são mostradas realizando atividades do cotidiano ao som da música de Georges Delerue

1-François Truffaut dirige o primeiro dos cinco episódios. Conta a história entre um amor não correspondido entre Antonie e Colette. Quando dirigiu o curta, Truffaut já tinha no currículo filmes como “Os incompreendidos”, “Atirem no pianista” e “Jules e Jim – uma mulher para dois”.

Um pouquinho sobre François Truffaut
François Truffaut produziu um conjunto de cinco filmes com o personagem Antoine Doinel, que mostra o crescimento do personagem dos 15 aos 35 anos.

Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud) aparece pela primeira vez no filme “Os Incompreendidos” e após, deu vida ao personagem em mais outros quatro filmes do diretor: “Amor aos 20 Anos”, “Beijos Proibidos”, “Domicílio Conjugal” e “ Amor em Fuga.” Cada filme retrata uma fase diferente da vida de Doinel.

O personagem que o cineasta expõe diante de nós é inspirado nele mesmo. Ao ver Antoine Doinel, sabemos que estamos vendo também François Truffaut.

Antoine et Colette 
Antoine et Colette é um curta-metragem com 35 minutos de duração. O curta conta com a presença do narrador e mostra o cotidiano dos personagens, como era bastante comum nas obras da Nouvelle Vague. O filme tem cortes e brincadeiras estéticas que nos lembram um pouco “Atirem no pianista”.

O jovem François Truffaut aproveitou a oportunidade para retomar o personagem de seu longa-metragem de estréia: “Os Incompreendidos”. Naquele filme, lançado em 1959, com grande receptividade pela crítica do mundo inteiro, contou a triste história de Antoine Doinel, um adolescente parisiense infeliz, com uma mãe infiel. Propenso a mentir para a mãe e o padrasto, o garoto faltava às aulas, não se importava com os estudos e mostrava indícios de estar mergulhando na marginalidade, indo parar num reformatório.

Quando atuou em “Os incompreendidos”, Antoine Doinel tinha 14 anos de idade. Em Antoine et Colette, lançado em 1962, ele estava com seus 18 anos e no último filme “O Amor em Fuga” de 1979, Antoine Doinel estava com 35 anos.
“Antoine et Colette” não mostra o que aconteceu com Antoine Doinel desde o final da narrativa em “Os incompreendidos”. Inicia mostrando-o com 18 anos, trabalhando na fábrica de discos da Philips, na época uma das maiores gravadoras do mundo e morando em Montmartre, o bairro da boemia, dos artistas, não muito distante da belíssima Basílica do Sacré Coeur.

·    (A Basílica aparece em cenas de Antoine et Colette e também nos três filmes seguintes das aventuras de Antoine Doinel.)

O jovem Antoine continua sendo um leitor voraz e é também absolutamente apaixonado por música. É frequentador assíduo dos concertos para a juventude, juntamente com seu velho amigo René (Patrick Auffay). É num desses concertos que pela primeira vez Antoine vê Colette e passa a admirá-la em segredo por algum tempo até que consegue abordá-la.

O jovem casal possui várias diferenças:
Ele vive sozinho, jamais visita a mãe, que ainda estava viva naquela época; Colette vive com a mãe (Rosy Varte) e com o padrasto (François Darbon). Ele não estuda, só trabalha; ela só estuda, não trabalha. Ela tem a vida bem mais estruturada que a dele, mais confortável no que se refere à questão financeira.
Antoine se apaixona perdidamente por Colette, enquanto Colette provavelmente só gosta dele como amigo. É uma história de amor que não é feliz, já que o amor não é correspondido.

Uma característica importante de Antoine que aparece em “Antoine et Colette” e vai reaparecer nos filmes que virão a seguir é que ele consegue conquistar os pais das amigas e/ou namoradas. A mãe e o pai de Colette afeiçoam-se a ele, o convidam sempre para jantar com eles,mas em uma das noites Colette deixa Antoine em companhia deles e sai com outro rapaz. 

Para um garoto que cresceu longe dos pais, isso é fundamental: ele encontra na casa das amigas e/ou namoradas a companhia familiar que sempre faltou na sua vida – assim como faltou na vida do cineasta que o criou. Truffaut, numa entrevista reproduzida no livro “Truffaut par Truffaut”, de Dominique Rabourdin, diz que, diferentemente do que acontecia em “Os incompreendidos”, em “Antoine et Colette” há adultos muito simpáticos: “Não se fala mais do garoto, nem de sua família. São apresentados os pais da moça – dessa vez montei uma família diferente, uma família que vai bem. É por isso talvez que eu ame este filme: é porque ele é mais leve e ao mesmo tempo simples. Acho mesmo que ele seja mais próximo da vida. Eu o fiz num momento descuidado: Jules et Jim tinha acabado de sair e tinha sido muito bem recebido, o que me fez trabalhar para fazer “Amor aos 20 anos” com muita alegria.”

Embora o filme aborde o amor como tema principal teve pouco sucesso e foi rapidamente retirado dos cinemas, apresentando fraca aceitação.

O filme usa os mesmos recursos de “Os incompreendidos”: mostra a cidade de Paris em muitas cenas. Truffaut demonstra grande apreço pela cidade na qual vive: as avenidas, cafés, autocarros, cinemas, edifícios e apartamentos conferem ao filme, um aspecto quase de documentário. A cultura jovem dos anos 1960 é fielmente recriada: a música (clássica e pop), o gramofone, as ‘festas-surpresa’, chamadas telefônicas, conversas de café, idas ao cinema, um primeiro gosto de independência e o amor.”
       
2-Andrzej Wajda dirige o episódio que gira em torno de um jovem soldado cujas façanhas provocam a admiração de uma mulher.

A personagem inicia a cena namorando num zoológico e numa situação de perigo espera de seu companheiro uma atitude que não é tomada. Ao invés de ajudar a criança ele tira foto das cenas (semelhança com os dias atuais e com a necessidade que as pessoas estão desenvolvendo de registrar os fatos através dos cliques). Um desconhecido chega e toma a atitude que, talvez ela gostaria que o namorado tivesse tomado. A partir daí passa a nutrir uma grande e inesperada admiração por esse desconhecido e o leva para sua casa. Tenta seduzi-lo, mas em pouco tempo percebe que não têm muitas afinidades e perde o encanto inicial. O namorado não desiste e vai até a casa da namorada aguardá-la sair de casa. Iniciam um diálogo, saem e se divertem, como uma continuação do início do filme.

3-Renzo Rossellini segue as aventuras de duas mulheres que compartilham do mesmo homem. 

A história inicia com um casal discutindo a relação amorosa, mas o motivo não fica claro.         
Quando terminam a conversa ele vai até a casa da amante, Valentina, para terminar o relacionamento. Ela parece mais velha, tem boa condição financeira e ajuda Leonardo dessa forma, sabe da existência de Christina, mas diz não se importar em ter de dividi-lo. Afirma que a relação que têm é realidade e a que quer viver com a namorada é um sonho. Leonardo termina tudo e vai embora, resolve até deixar o carro, dando a entender que também foi um presente. A amante não aceita perdê-lo e procura Christina para contar de sua existência e aconselhá-la a deixar Leonardo apresentando vários argumentos, dentre eles: “Riqueza é uma droga”. A amante vai embora e o filme termina com Christina chorando.

4-Shintarô Ishihara mostra o retrato de um jovem trabalhador que se torna um assassino de mulheres. 

O filme inicia com dois jovens admirando uma moça que vêem no metrô. Um dos jovens, Hiroshi, passa a nutrir um amor por essa moça que ele nem ao menos sabe o nome. Ele aparentemente leva uma vida normal, não demonstrando nenhuma atitude que desperte suspeitas por parte de seus companheiros de trabalho. Apenas parece um pouco tímido e triste. Na cena em que os amigos propõem uma comemoração pelo seu aniversário, ele diz: “Não tenho coisa alguma para celebrar”.

Depois de um tempo, começa a segui-la para descobrir onde mora. Paralelamente a isso, comete o assassinato de uma colega de trabalho que demonstra interesse por ele. Numa noite segue novamente a amada e a mata covardemente. O filme termina com Hiroshi ligando para a polícia, confessando o crime e se justificando dizendo que todos queriam conhecê-la, mas agora ela iria pertencer a ele para sempre.

Embora seja uma história triste, é bastante comum em nossos dias; diversos acontecimentos desse tipo são noticiados na imprensa. No caso da jovem do metrô, ela não mantinha um relacionamento amoroso com o assassino, nem o conhecia, mas muitas jovens têm sofrido violências de seus companheiros que, em muitos casos deixam graves sequelas ou até mesmo as levam a morte, principalmente pelo ciúme excessivo e doentio.

5-Marcel Ophüls dirigiu o episódio sobre um jornalista que engravida uma mulher depois de um breve encontro e que deve enfrentar suas responsabilidades como pai.

O filme se inicia com um jornalista, chamado Tonny, chegando de viagem e comprando uma flor para a mãe de seu filho que acabou de nascer. Um detalhe importante é que é possível perceber a presença de um narrador que em alguns momentos conta a história de Tonny. Chegando ao hospital ele vê a criança e encontra a mãe, Úrsula Danning. Enquanto conversam, o médico entra no quarto e sugere que saiam do hospital e façam um passeio já que o dia estava lindo (sugestão quase impossível na vida real). Eles aceitam, conversam bastante sobre a vida, da forma como se conheceram, sobre o tempo que passaram juntos e sobre o futuro. Começam a fazer alguns planos... Resolvem sair dali e ir a um restaurante e durante a conversa uma conhecida de Tony, Vera, passa de carro e grita dizendo que o encontrará à noite conforme haviam combinado. Úrsula vai embora sem que Tony perceba; ele vai até ao hospital, mas não o deixam entrar. Ela sabe que no outro dia ele viajará para Paris e pela manhã, sai novamente do hospital (dessa vez escondida) para encontrar-se com Tonny na estação. Ele fica feliz em vê-la e voltam a fazer planos para o futuro.
Os episódios nem sempre mostram finais felizes, mas tem a intenção de mostrar diversas situações que podem acontecer nessa fase da vida.

Eles nos fazem lembrar de nossas próprias experiências amorosas da mocidade, de todos os encantos e desencantos que os amores aos 20 anos podem nos proporcionar.

Por Elisangela Xavier, Flávia Brito e Tainara Brito

Resenha Um Só Pecado

Um Só Pecado


Por Darlei Francisco de Souza,

Letícia Vieira Barbosa e

Thaianne Ribeiro Salles

Ficha técnica

  • Nome: Um Só Pecado
  • Nome Original: La PeauDouce
  • Cor filmagem: Preto e Branco
  • Origem: França
  • Ano de produção: 1964
  • Gênero: Drama
  • Duração: 118 min
  • Direção: François Truffaut
  • Elenco: Jean Desailly, Françoise Dorléac, Nelly Benedetti

Quinta obra do autor, Um só pecado lançado em 1964, é um filme alter-ego de Truffaut, enriquecido com detalhes de fatos verídicos tirados dos jornais. Naquela mesma fase, Truffaut enfrentava uma crise no casamento. Assim como o autor principal do filme, Truffaut cometeu um adultério e fazer um filme com o mesmo enredo de sua vida, seria como contar um pouco de suas aflições para o público.

O seu roteiro escrito pelo diretor em parceria com Jean-Lois Richard é baseado em diversas histórias verídicas (inclusive experiências suas) que foram reunidas e transformadas em filme. A narrativa da obra é bem linear, com lentos movimentos de câmera que lhe conferem um ritmo bastante suave e preciso. O filme conta a história de Pierre Lachenay (Jean Desailly) um intelectual bem sucedido que possui uma editora e escreve livros e artigos sobre literatura. Ele é casado com Franca (Nelly Benedetti) e tem uma filha chamada Sabine (SabineHaudepin). Durante uma viagem de trabalho a Lisboa, onde Pierre iria realizar uma conferência sobre Balzac, ele conhece Nicole (Françoise Dorléac) uma bela e jovem aeromoça. Já durante a viagem de avião Pierre a reparar a bela moça. Por coincidência os dois estão hospedados no mesmo hotel e se encontram no elevador. Após conversarem no elevador Pierre liga para Nicole e a convida pra sair. A moça após certa relutância resolve aceitar o convite. A partir disso os dois iniciam uma relação amorosa.

A partir do momento em que ele se apaixona pela aeromoça, tudo em sua vida passa a ser afobado e repletas de mentiras para que Lachenay pudesse se encontrar com a moça.

Essa relação amorosa passa a ter mais problemas, pois o escritor não consegue esconde-la por muito tempo. O escritor recebe um convite para dar uma palestra na pequena cidade de Reims, econvida a aeromoça para passar uns dias com ele na cidade onde iria trabalhar. A priori as intenções do famoso autor era acabar suas atividades rapidamente e aproveitar os demais dias com sua amante, porém seu colega de juventude marca para ele vários compromissos profissionais que dificulta seus momentos com Nicole. A moça se revolta com aquela posição secundária na agenda de Pierre e ameaça deixa-lo e voltar para Paris sozinha. Para que a moça não fizesse isso, o renomado escritor abandona seu colega na cidade e foge com a moça para uma pousada no campo. Lá, eles vivem momentos de amor e afeto e tiram fotos para recordar o momento. Em determinado momento, Pierre mente para a esposa durante uma ligação alegando que ainda estava em Reims, porém Franca já havia ligado para o hotel onde ele estava, e havia recebido a informação de que ele já havia saído de lá há duas noites.

 Após os momentos de alegria com Nicole, Pierre regressa a Paris, e ao chegar em casa inicia uma discussão com Franca, que pede o divorcio após suspeitar que o esposo estaria traindo-a com uma outra mulher. Sem se queixar de sua decisão, Pierre sai de casa, e começa uma procura por um flat. Em um breve regresso para o lar dos Lachenay, Pierre acaba beijando Franca e se envolvem em uma cena que novamente Truffaut deixa subtendido o que aconteceu naquele momento. Porém ao ir embora de sua casa, o escritor diz que não poderiam mesmo voltar a ficarem juntos. Momentos depois uma funcionária de uma lavanderia – que havia acabo de lavar o terno que Pierre havia sujado em um encontro com Nicole – é entregue para Franca, que acaba recebendo um “cupom” que estava no bolso do terno para buscar as fotos reveladas a pedido de Pierre.

Enquanto isso, Pierre faz planos de se casar com Nicole e vão juntos conhecer um apartamento para que pudessem morar. Durante uma das conversas no futuro apartamento, Nicole se posiciona contrária à vontade de se casar com Pierre, visto que em um de seus encontros ela não se sentiu bem perante a postura dele, por repreendê-la ao falar alto em um restaurante. Franca ao buscar as fotos reveladas, confirma sua suposição de traição e volta furiosa para casa, solicita que a babá de Sabine a leve para Odile após o almoço. Enquanto isso ela prepara a arma do crime – uma espingarda que ficava guardada dentro de um guarda roupa. A aventura de Pierre – de que já havia sido abandonado pela jovem aeromoça- termina com o seu assassinato, em um restaurante lotado, na hora de almoço.

®    Ideia Central:
A ideia central do filme é um alter-ego de Truffaut, contando seu caso extra conjugal com um misto de culpa, ansiedade, alegria, impotência, postura irracional por ser tomado pelo amor e por um prazer que mesmo momentâneo foi inesquecível.
®    Cena de maior impacto:

Quando o Pierre tira as meias de sua jovem amante Nicole que estava adormecida, acariciando sua pele. Esta cena possui ao mesmo tempo um erotismo e uma delicadeza que retrata o desejo e a paixão que o escritor possuía pela moça.

A forma como Franca reagiu após matar seu marido, dando um sorriso bastante sarcástico.
®    Contribuição para a disciplina:
Conhecer mais uma obra de François Truffaut e suas formas de pensar a construção de seus filmes, deixando algumas cenas subtendidas e a forma suave em que o filme passa mesmo em momentos de maiores tensões.
®    Relação do filme com a formação:


O filme nos fez refletir acerca de que quando nos tornais profissionais em uma sala de aula, nós devemos deixar de esclarecer os alunos sobre o respeito aopróximo, pois assim estaremos formando alunos mais críticos e conscientes de si mesmo e do outro.  O professor deve estar apto a trabalhar em sala de aula os conhecimentos universalizados, participando da concepção e criação de modelos de educação alternativos, por meio de conteúdos curriculares capazes de contribuir para o questionamento e compreensão dos limites, possibilidades, valores, culturas, atributos étnicos, religiosos, etários, de gêneros, pois estamos lidando com sujeitos em suas efetivas particularidades. É ainda papel do professor ter legitimidade em suas aulas e que busque fundamentações para se basear para não sentir-se impotente perante este novo contexto em que o aluno vive e/ou está vivendo e ainda dar condições para a transformação do senso comum para o senso crítico, onde o aluno passa a ter uma visão reflexiva. Dessa forma ao romper com o senso comum, dando condições a debates, a críticas e manifestações e a contradições o aluno estará passando pelo processo do conhecimento, e é importante que o professor possa desvincular do aluno o “pensar por pensar”.