A Religiosa (1966) - de Jacques Rivette


Olá pessoal, segue as indicações de leitura para o debate sobre esta obra.
Atenciosamente
Prof. Márcio



A Religiosa, a via-crúcis do filósofo

Publicado postumamente, o livro teve censurada a adaptação para o cinema

Antonio Gonçalves Filho
O Estadao de S.Paulo
30 Janeiro 2010 | 00h00

É uma adaptação austera como o texto original que a inspirou. E igualmente polêmica e censurada em sua época. Finalmente, após anos de ausência do circuito cinematográfico, chega ao mercado (em DVD) o filme A Religiosa, dirigido por Jacques Rivette em 1966 com base no último romance de Diderot, publicado apenas em 1796, doze anos após a morte do filósofo. Compreensível. Preso uma vez, em 1749, por causa de um ensaio cujo tema era o poder dos cinco sentidos sobre a razão (Carta Sobre os Cegos), Diderot foi mais cauteloso ao dar ao mundo sua versão de uma história real, a de uma freira de Longchamp, Suzanne Saulier, que perdeu um processo contra o convento em que foi confinada. Sem vocação, ela teria lutado sem sucesso pela revogação de seus votos religiosos, como a bela Suzanne Simonin de seu livro, que, aos 17 anos, obrigada pelos pais, ingressa na vida religiosa sem convicção.
A nova tradução, a cargo de Jacó Guinsburg, destaca o vigor crítico desse texto "visual" que nasceu de uma brincadeira de salão de Diderot e seus amigos, ao saber da história da freira de Longchamp. A esse respeito, o filósofo Roberto Romano, que coordena a Coleção Diderot com o editor Guinsburg, aponta os exageros dos analistas que viram no romance certo "pictorialismo literário", embora defenda que se trata, efetivamente, de um livro com vocação cinematográfica. Considerando o interesse do filósofo por todas as manifestações artísticas e literárias da época, é bem possível que estivesse hoje escrevendo roteiros para cinema - e certamente menos reverentes que o de Rivette e Jean Gruault para o seu livro. A Religiosa antecipa algumas invenções da literatura moderna, que o diretor deixa escapar em seu filme. Parece claro que, para Rivette, a ética precede a estética. Já para Diderot, as duas andam juntas.
Aparentemente, Diderot teria escrito o livro como um panfleto amargo contra a vida monástica, um ataque à religião mais voraz que seus escritos anteriores sobre o tema. A prisão de Suzanne Simonin não seria apenas física, mas, acima de tudo, moral. Privada de sua liberdade para pagar uma pena que não era a sua - a de ser filha bastarda de um advogado e uma mãe adúltera culpada -, a "religiosa" antecipa o drama dos personagens sartrianos. Para ela, não há saída. Seja no convento das freiras histéricas de Longchamp, que a identificam com Satã por ter negado seus votos, ou no convento das lésbicas libertinas de Arpajon, para o qual é enviada depois, Suzanne está condenada a pagar por sua lucidez e seu desejo de liberdade. E a pagar com a própria vida. Ajudada por um padre confessor igualmente sem vocação, ela foge do convento para viver livre, mas descobre tarde demais que a liberdade tem alto preço num mundo em que o senso de justiça social é precário. Às portas da prostituição, ela se mata.
De algum modo, A Religiosa (1760) é o tratamento trágico de temas que seriam posteriormente abordados em Jacques, o Fatalista, e Seu Amo (1773) e O Sobrinho de Rameau (1761). Se, no primeiro, Jacques acredita ingenuamente no destino, sendo contestado por seu amo, a "religiosa" de Diderot luta contra esse destino, embora saiba - e diga isso com todas as letras - que sua história está traçada pela sociedade. Esta marcou seu corpo com o estigma do hábito, grudado nela como a própria pele. Em outras palavras, sua roupa de freira seria equivalente à burca da mulher muçulmana, cuja identidade é negada em nome de uma lei divina - nos países fundamentalistas, evoque-se, uma mulher pode ser presa por não usar o véu.
O acadêmico suíço Jean Starobinski já observou que Diderot se sentia embaraçado por ser obrigado a dar aos seus personagens uma identidade fixa e estável. Ele se saía melhor quando podia contar a história de forças naturais agindo sobre a estabilidade dessa existência individual, quando se abandonava ao prazer de acabar com a ilusão da autonomia pessoal, segundo Starobinski. Não por outro motivo a freira de Diderot é uma filha ilegítima sem recursos ou poder de barganha com a família. Se, na tragédia grega, os filhos sempre acabam pagando pela culpa dos pais, o destino de Susanne Simonin não é diferente. Há, efetivamente, uma progressão trágica que marca A Religiosa desde o princípio.
Diderot assume a personagem colocando-se no lugar da atormentada religiosa, numa espécie de "androginia literária" em que Rivette apenas esbarra. Essa ética hedonista, que derrubaria as fronteiras morais, fazendo com que freira e criador se unissem contra uma disciplina estoica, é inútil porque se limita a um impulso isolado contra o despotismo. Em todo caso, Diderot tem uma esperança, assim como Suzanne: a de que seja ouvido pelo leitor; que ele, ao menos, experimente a liberdade de imaginar a liberdade.
É ao leitor que o autor conta (como se fosse Suzanne) que o relato só existe por causa do marquês de Croismare, seu amigo, a quem escrevia cartas como se fosse a freira perseguida de Longchamp, provocando-o com a necessidade de um benfeitor para interceder em seu caso, mentira que se revelou, afinal, a mais trágica e pura verdade.
Filme Proibido
Ao ser lançado, em 1966, o filme A Religiosa, dirigido por Jacques Rivette e agora disponível em DVD da Cult Classic, provocou um escândalo e tanto. O Ministério da Informação da França recebeu 12 mil cartas solicitando sua interdição e o governo do general De Gaulle simplesmente acolheu os pedidos. Proibiu o longa tanto na França como no exterior. Ele só foi liberado porque o ministro da Cultura, André Malraux, convenceu os produtores do Festival de Cannes a mostrar o filme, proibido por "imoralidade". No Brasil, o longa foi exibido com cortes.


 

Muriel ou o Tempo de um Regresso, 1963

Boa noite pessoal, segue o texto indicado pelo Prof. Vanderlei para leitura e debate no próximo encontro!
Saudações a todos e todas

http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/download/31033/16763


São Paulo, domingo, 19 de novembro de 2006 
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Crítica/"Muriel" 

Estranheza de obra de Resnais desafia a passagem do tempo
por INÁCIO ARAUJO
CRÍTICO DA FOLHA 

É possível, no caso de "Muriel", começar por esse lugar-comum -"eis aí um filme que chega com mais de 40 anos de atraso"- com o qual se pretende enfatizar nossa categoria de país periférico.
O atraso, aliás, é o fundamento deste filme de Alain Resnais. O atraso ou antes o descompasso. Estamos em Boulogne, na Normandia, cidade destruída durante a Segunda Guerra e agora reconstruída. Há ruínas e prédios modernos, passado e futuro misturados. Lá Helène recebe Alphonse.
Saberemos que existiu entre eles um amor de juventude. Logo antes da guerra. O que aconteceu? Nem eles sabem direito, mas se afastaram. Helène permaneceu na cidade. Alphonse foi para a Argélia, onde viveu até pouco tempo atrás.
Que sabemos de um e de outro? Muito pouco. O que dizem e o que mostram. Helène é uma antiquária, vende os móveis em sua própria casa, o que significa viver em um edifício moderno atolada por velhos móveis -de antes da guerra.
Ou seja, eis o que há de irônico na afirmação de que este "filme nos chega com atraso". É que, em "Muriel", o tempo não passa, ou talvez não exista. Neste roteiro escrito por Jean Cayrol -mais próximo da linearidade do que "O Ano Passado em Marienbad" ou "Hiroshima Meu Amor", ainda que muito mais fragmentário-, é como se o tempo fosse criando camadas de experiência que se superpõem umas às outras. No entanto, a dor do passado não se perde nunca -não passa. Ela se desdobra, reflete-se nas roupas, nos objetos, nos gestos dos personagens, mas não se perde.
O segundo aspecto paradoxal envolvendo o tempo diz respeito ao próprio cinema. O filme é de 1963 e sucede a "Marienbad" na obra de Resnais. O começo dos anos 1960 é aquele em que a linguagem cinematográfica mais foi remexida, mais provocou e foi provocada. Não será absurdo dizer que, hoje, estamos 40 anos atrasados em relação a 1963 (o tempo não passa só para frente, afinal). Ou seja, a proposta de "Muriel", com sua estranheza (os cortes rápidos, a busca arbitrária de objetos, o comportamento estranho dos personagens) está à nossa frente o bastante para que este filme nos apareça hoje enigmático, provocador, atraente -em suma, muito moderno.

Solidão
Enquanto Helène e Alphonse não passam a limpo seu amor passado -porque é impossível passar a limpo, e porque o passado não se manifesta como tal- o enteado de Helène ora passeia com a sobrinha de Alphonse (que depois se revela sua amante), ora sai em visita a Muriel, sua noiva -que nunca vemos. No espaço e no tempo, "Muriel" é um filme da solidão, do deslocamento (todos ocupam um espaço indevido ou são ocupados por ele) -ali, o próprio da condição humana é o desencontro.
Visto hoje, o filme permite, ainda, alguns questionamentos. Exemplo: não seria "Muriel" um caso de abstração extremada? Não seria o ponto radical de uma estética inovadora na qual, como disse Eric Rohmer, abrem-se portas, mas portas que não dão em parte alguma? Dúvidas como essa nasceram nos 43 anos que nos separam da feitura do filme. Não existiriam na época. Talvez seja, afinal, uma enorme vantagem "Muriel" estar chegando a nós só agora.

MURIEL     

Direção: Alain Resnais
Distribuidora: Aurora (R$ 37,50) 
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1911200612.htm



https://ajanelaencantada.wordpress.com/2015/05/25/muriel-ou-o-tempo-de-um-regresso-1963/

https://multiplot.wordpress.com/2008/05/12/muriel-ou-o-tempo-de-um-retorno-alain-resnais-1963/


http://gjss.org/sites/default/files/issues/chapters/papers/Journal-09-03--11-Sharpe.pdf




Mostra Novelle Vague



JANELA DA ALMA (2001) de João Jardim e Walter Carvalho





Olá a todos e todas, sejam bem-vindos ao início de mais uma mostra de filmes do projeto "Cinema com Vida".  O filme exibido pode ser melhor compreendido com a leitura dos textos abaixo.
Atenciosamente, Prof. Márcio Farias

http://revistaalceu.com.puc-rio.br/media/alceu_n6_Ribas.pdf

https://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/critica/ult569u741.shtml

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-94792007000100012


Surreal

Surreal: E a história de uma menina que em meio às brincadeiras de infância nutre o sonho em se tornar uma ginasta e ir representar seu país nas olimpíadas , uma mistura de sonho realidade
Elenco:  Lavinia wendreus 
Roteiristas: Alexsandro Antônio
Barbara Oliveira 
Michel
Duração: 1 minuto

Amor ao atletismo

Enredo:
O vídeo Minuto CRIA retrata um dia da realidade de jovens que amam o atletismo e através desse esporte oferecido por um projeto social, que tem como objetivo principal, fazer com que os jovens ingressem na Universidade, conseguiram ter acesso a essa oportunidade que vai muito além das pistas e medalhas. Cursar a faculdade, ao mesmo tempo que as possibilitam de persistirem no seu sonho de serem atletas, lhes oferecem uma nova perspectiva de vida, que muitas vezes não era vista como uma possibilidade e acaba virando uma meta conjunta a vida de atleta.

Grupo: Camila, Igor e Islane



AMOR PELO CAFÉ


Enredo:
O curta-metragem cujo nome é AMOR PELO CAFÉ vai ser mostrado cenas da produção do café em uma fazenda no interior do estado de Minas Gerais na cidade de Lavras, na qual será visto imagens de como é produzido e manuseado o café. Também abordará um breve relato de uma estudante da Universidade Federal de Lavras(UFLA) chamada Natalia Aparecida que fala porque ela ama o café. O curta-metragem em si vai mostrar uma das grandes riquezas do Brasil e a paixão e carinho de uma estudante com a bebida preferida das manhãs, pois sem o café muitos não vivem porque o amor que elas sentem por ele não da para ser substituído por outra bebida. O curta AMOR PELO CAFÉ foi idealizado nas obras de Agnès Varda na qual suas fotografias, filmes e instalações abordam questões referentes à realidade no documentário.

Direção: Gabriela Pereira Botelho, Genaina Sueli Martins, Humberto Venâncio Oliveira Rodrigues
Local gravações: Lavras , Minas Gerais
Ano: 2018

O amor a rede social ultrapassando o convívio com os amigos

Giliarde Antônio dos Santos
Marco Antônio Junqueira Silva 
Pedro Henrique da Silva Coelho

Cada vez mais presenciamos o vício dos jovens com os aparelhos telefônicos, juntamente com as redes sociais é notório a falta de convívio entre as pessoas, não há mais diálogo entre elas. No primeiro caso percebe-se que um rapaz encontra seu amigo e o chama para andar de moto porém o outro está concentrado em suas redes sociais e acaba recusando o convite feito. Em outra cena vemos o desespero de um em querer estudar a matéria que ficou acumulada durante o semestre novamente fazendo o convite para que estudem juntos porém o aparelho telefônico mais uma vez se torna prioridade máxima na vida do rapaz. No último caso o mais grave e que ocorre muito no mundo em que vivemos, em uma roda de conversa entre amigos um único garoto sozinho em seu "universo", com o celular na mão deixando de dialogar com seu amigos, perdendo cada vez mais o convívio com os outro.